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Editorial RBSH 15(1) 2004

Título: Editorial RBSH 15(1) 2004
Autor(es): A. C. C. Gonçalves and P. R. B. Canella
Ano: 2004
Periódico: Revista Brasileira de Sexualidade Humana
Volume: 15
Número: 1
Páginas: 23-25
Tipo de Artigo: Editorial
ISSN: 0103-6122
Língua: Portuguese

Resumo: Antigamente sexo era tabu. Coisa da intimidade. Algo que todo mundo sabia que todo mundo fazia, mas havia um contrato velado para que todos fingissem que ninguém sabia o que fazia, muito menos que o outro também o faria. Algum dia...Esse algum dia chegou com mais vagar do que ocorrem hoje as mudanças e atualizações no comportamento sexual. Tão rapidamente como a capacidade de processamento dos computadores pessoais, que dobram suas velocidades de processamento e capacidade de memória a cada 2 anos, permitindo assim o desenvolvimento de programas mais sofisticados, fazendo com que você, depois de algum tempo, para acompanhar a evolução tecnológica, precise ou atualizar seu computador ou comprar um computador novo. Fala-se de sexo direta e indiretamente, e muita gente quando pode o faz de maneira que todos vejam. De um lado os Reality Shows, o sexo virtual; do outro o pavor de estar comendo coisas demais, usando drogas demais, tomando atitudes que diminuem o desejo. Há uma variação tão grande entre o que é bom, o que é ruim, o que é novo, o que está ultrapassado, que as pessoas não sabem mais o que fazer, muito menos o que sentir. Vejamos as notícias: Estudo publicado pela renomada revista científica New Scientist, diz que uma pesquisa feita pela Universidade de Boston (EUA), comprovou que pílulas anticoncepcionais podem reduzir e mesmo extinguir a libido em muitas pessoas. A causa seria uma certa proteína contida no anticoncepcional que pode acabar com a testosterona. Bem, não seria mais inteligente que as mulheres parassem de se inundar de hormônios para não engravidar quando isso já não pode acontecer? Afinal hoje não se escapa da camisinha, e ela tem uma eficácia muito boa, se for usada adequadamente. Saiu no New York Times que pesquisadores americanos conseguiram imagens do amor reagindo no cérebro. Apareceu no Fantástico também. O sentimento mais incontrolável que assola os humanos estaria mais para fome e sede, (necessidades biológicas) do que para excitação sexual e afeto. Como está descrito o estudo: 17 estudantes universitários olharam para uma foto do seu parceiro enquanto uma máquina de ressonância magnética escaneava seu cérebro. Depois, essas imagens foram comparadas com outras, registradas no momento em que as pessoas olhavam para a foto de um desconhecido. Um mapa de áreas particularmente ativas do cérebro mostrou que o núcleo caudal, área densa em células que produzem ou recebem dopamina, (supõe-se que a dopamina está relacionada ao prazer, só não se sabe se a dopamina produz o prazer ou o prazer é que produz a dopamina!) ficava especialmente ativo em pessoas apaixonadas. E tem mais, à área da atração física estava do lado oposto, no cérebro. Conjeturaram os pesquisadores que é ai o ponto do cérebro que determina os desejos duradouros e inexplicáveis que fazem os apaixonados escolherem determinada pessoa. Se não fosse a Helen Fisher uma das coordenadoras da pesquisa, por sua antiga e renomada atuação nos estudos da sexualidade humana, principalmente no que concerne ao Amor, a Paixão e o Desejo, nós ficaríamos aqui pensando: resta saber o que será que podemos fazer com esses conhecimentos... Baixou em nossa caixa postal uma enxurrada de e-mails pró e contra (a maioria contra!) a atitude de uma psicóloga dona de uma Agência de Matrimônios, que orienta suas associadas à não agirem no primeiro encontro como o que ela chama de mulher cabeça: inteligentes e bem-sucedidas, mas com profundos bloqueios de relacionamento com o sexo oposto. Ainda segundo a tese da psicóloga, as mulheres sabem que estão sofrendo da síndrome quando pensa mais que sente e não utiliza a feminilidade para conquistar e amarrar o homem; Ela quer segurar o homem no papo, como se estivesse negociando, mas o homem cola na mulher, em primeiro lugar, através do visual e gestual feminino (sic). Pronto. Lá se foi a tese da Helen Fisher por água abaixo. Afinal se o que importa é emburrecer diante do homem para conquistá-lo, o cérebro vai estar ocupado demais pensando nas formas de conquistar o outro e não vai poder se sensibilizar para o amor. Noticiado na BBC Brasil no dia primeiro de junho que os Médicos defendem a via vaginal para administração de medicamentos. Há muito que a vagina é via de administração de fármacos e com diferentes finalidades. Na Idade Média, medicamentos como a beladona, a mandrágora ou o meimendro negro eram usados por via vaginal. Em 1918, surgiu a 1a publicação sobre a absorção vaginal sendo deste então o seu uso como via de administração de medicamentos. Hoje há hormônios para reposição hormonal e para a contracepção aplicados na vagina sob a forma de cremes, supositórios, tampões, gel, tabletes e anéis. A via vaginal seria igualmente útil para ajudar às mulheres a vencer bloqueios. Há muitos anos acredita-se que conhecer mais o próprio corpo e melhorar a percepção sobre a vagina é fundamental para o desenvolvimento sexual da mulher. Bloqueios ou vergonha não devem prevalecer sobre a necessidade da mulher se informar para ser mais feliz na sua sexualidade. Assim absorventes internos e contraceptivos de última geração, como o anel vaginal mensal, colocados por ela mesma no interior da vagina devem contribuir para uma sexualidade mais prazerosa. Devidamente noticiados de todas as novas teorias e proposições, resolvemos dar um furo de jornalismo: as pessoas são agressivas porquê não amam; infelizes porquê não desejam; melancólicas porque não se permitem; insatisfeitas porque reprimem os seus desejos mais legítimos com teses estrambólicas para entender a própria solitude, que se transforma em solidão quando se nega o sentimento.

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