Sexualidade de mulheres reclusas: a construção da autoestima através da ludicidade

Título: Sexualidade de mulheres reclusas: a construção da autoestima através da ludicidade
Autor(es): T. C. P. C. Fagundes and C. R. V. Torres
Ano: 2016
Periódico: Revista Brasileira de Sexualidade Humana
Volume: 27
Número: 1
Páginas: 9-17
Tipo de Artigo: Trabalhos de Pesquisa
ISSN: 2236-0530
Palavras-chave: sexualidade; educação; mulheres reclusas; ludicidade; sexuality; education; sentenced women; playfulness
Língua: Portuguese

Resumo: O sistema prisional brasileiro, tradicionalmente estruturado para atender o universo masculino, imprime marcas indeléveis na sexualidade de mulheres em reclusão, refletindo na autoestima e ressignificação de suas identidades. Partindo desses pressupostos, o trabalho objetivou analisar expressões e vivências da sexualidade de mulheres que estão cumprindo Medida de Segurança, a partir do uso da ludicidade que permite a pessoa expressar-se, desbloquear resistências, perceber os “nós” que se constituem em obstáculos que acorrentam e marcam a subjetividade feminina. Foram utilizados como aporte teórico os estudos de Bourdieu e Foucault sobre poder e dominação, de Vygotsky sobre a psicologia histórico-cultural, de Paulo Freire sobre a educação como prática social e histórica e de Paulo Amarante sobre saúde mental. Como procedimentos de pesquisa foram realizadas cinco oficinas lúdicas com doze mulheres (voluntárias) no período de um mês, em que os diálogos entre profissionais, estudantes e técnicos da unidade mediaram os depoimentos sobre as expressões da sexualidade vividas, negadas ou distorcidas, bem como os reflexos dessas vivências na autoestima e identidades das mulheres participantes. Um dos resultados mais evidentes foi ter conseguido a adesão e a participação efetiva de dez mulheres em cada oficina, ocorrência pouco frequente quando se trata de procedimentos alternativos no cotidiano de uma unidade prisional. Os principais temas discutidos foram: (re)construção de identidades, preconceitos, privações, sensualidade, erotismo e amor. Com base nas oficinas que valorizaram a expressão do lúdico, o fazer criativo e a autonomia, depreendemos que muito mais que propor atividades, foi importante a constituição de um espaço para escutá-las sobre o que gostariam de fazer. Abrir um espaço para experimentar sensações, criar, formar laços estimulou a manifestação das potencialidades, da comunicação e da autonomia. A participação das mulheres nas oficinas propiciou momentos de imersão na problemática em que vivem, permitindo destacar as produções de sentidos e sentimentos distantes do crime, da vivência carcerária, do abandono e da privação e do resgate da autoestima de mulheres reclusas. / The Brazilian prison system, traditionally structured to fit on male universe, results indelible marks on sexuality of sentenced women. Concerning about these assumptions, this research proposed to analyze experiences related to sexuality of incarcerated women using playfulness. These activities allowed them to express their selves, knock out resistances and realize “nodes” that constitute obstacles that define female subjectivity. The approaching is theoretically supported by Bourdieu, Vygotsky, education like as a social and historical practice, cultural and historic psychology and Paulo Amarante on mental health. As research procedures, five playful workshops with twelve volunteer women were accomplished in a month. During this period, dialogues between professionals, students and unit technicians mediated testimonials about expressions of experienced, denied or distorted sexuality, as well as reflections of these experiences on self-esteem and identities of participating women. It was valuable to register the adhesion and effective participation of ten women in each workshop, which is an infrequent occurrence when it is related to alternative procedures in daily life of a prison unit. The main topics discussed were: (re) construction of identities, prejudice, deprivation, sensuality, eroticism and love. Based on workshops that valued the playful expression, creative doing and autonomy, we infer that much to propose activities, the creation of a space to listen to them about what they wanted to do was important. Open a space to experience sensations, create, form bonds stimulated the expression of potential, communication and autonomy. Women's participation in workshops led immersion times in the issue in which they live, allowing highlight the production of meanings and distant feelings of crime, prison experience, abandonment and deprivation and rescue the self-esteem of women prisoners. Based on workshops that valued the playful expression, creative doing and autonomy, we infer that much to propose activities, the creation of a space to listen to them about what they wanted to do was important. Open a space to experience sensations, create, form bonds stimulated the expression of potential, communication and autonomy. Women's participation in workshops led immersion times in the issue in which they live, allowing highlight the production of meanings and feelings away from crime, prison experience, abandonment, deprivation and redemption of women prisoners self-esteem.

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