Sexo anal nas relações heterossexuais

Sexo anal nas relações heterossexuais
Autor(es): C. d. S. N. R. d. Sá, P. R. B. Canella and M. Jurberg
Ano: 2004
Periódico: Revista Brasileira de Sexualidade Humana
Volume: 15
Número: 2
Páginas: 59-72
Tipo de Artigo: Trabalhos de Pesquisa
ISSN: 0103-6122
Palavras-chave: heterossexualidade; coito anal; DSTs; heterosexuality; anal coitus; DSTs
Língua: Portuguese

Resumo: O objetivo do presente trabalho consistiu em estudar o sexo anal heterossexual, presente desde o inicio dos relatos sobre a sexualidade humana,  sendo uma das práticas sexuais não-convencionais, cada vez mais utilizada por casais heterossexuais, apesar de sua ligação com o maior risco para DSTs e a transmissão do vírus HIV. A pesquisa de campo foi realizada com 70 mulheres, entre 14 e 59 anos, clientes de ambulatório de ginecologia, submetidas a entrevistas semi-estruturadas, com o objetivo de avaliar a freqüência das práticas sexuais (vaginal, oral e anal); os motivos da aceitação ou rejeição do coito anal; de quem partiu a sugestão; o uso de preservativo e o prazer obtido com esta prática. Os resultados evidenciaram que 61,4% das mulheres que constituíram a amostra já praticaram  o sexo anal, o que ocorreu em todas as faixas etárias. Em geral, foi sugerido pelo parceiro (78%), mas 10% das mulheres também tiveram essa iniciativa.  O motivo para a primeira relação anal foi, majoritaria- mente, para agradar ao parceiro (81,4%), embora a curiosidade também tinha sido relatada por uma em cada quatro dessas mulheres (25,6%).  A prática foi mantida por 48% das mulheres, igualmente para agradar ao parceiro (82,3%), ou em busca de prazer, por 44,1% destas mulheres, ou 21,4% do total. O uso de preservativo, entre as que praticam o sexo anal, aparece no relato apenas de 18,6% destas. Conclui-se que o método utilizado favoreceu a espontaneidade e veracidade das respostas, assim como evidenciou a não justificativa de certos estereótipos sexuais femininos, ao mesmo tempo emque mostra que as mulheres estão mais curiosas e tentando  obter prazer de outra forma, que não as convencionais. ; The purpose  of this work is to study heterosexual  anal intercourse, a practice that is present in the first available descriptions  of human  sexuality. It is one of the non-conventional present performances that has been increasing among heterosexual couples, even though it is the most risky for the transmission of the HIV virus. The research was made with 70 women,  with ages varying from 14 through 59, all patients of gynecologic ambulatory. The patients responded to semi-structured interviews, with the purpose of evaluating the frequency of sexual practices (vaginal, oral and anal); the motivations for the acceptance or rejection of anal intercourse; who suggested and the pleasure obtained with anal intercourse. Results reveal that 61,4% of the sample had practiced  anal sex, which happened  in every age bracket. Generally, the man suggested anal intercourse (78%), but 10% of the women also shared the initiative. The alleged reason for the first anal relationship was primarily to please the partner (81,4%),  though curiosity was a reported reason for one out of these women (25,6%). Anal intercourse was maintained as a practice by 48% of these women, equally to please the partner  (82,3%) and in search of personal pleasure (44,1% of these women, 21,4% of the total). The use of condoms among the women who practiced anal intercourse was reported in only 18,6% of the cases. It is possible to conclude that the interviewing method favored spontaneous and truthful answers, and portrayed the formation of certain feminine stereotypes, at the same time showing that women are more curious and attempting  to achieve pleasure in other, non-conventional forms.

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