O despertar ameaçado: adolescência, sexualidade e HIV

Título: O despertar ameaçado: adolescência, sexualidade e HIV
Autor(es): S. J. A. d. Almeida
Ano: 1998
Periódico: Revista Brasileira de Sexualidade Humana
Volume: 9
Número: 2
Páginas: 217-229
Tipo de Artigo: Trabalhos de Pesquisa
ISSN: 0103-6122
Língua: Portuguese

Resumo: A década de 80 trouxe consigo uma enfermidade aparentemente nova: a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), que foi noticia- da pela primeira vez nos Estados Unidos da América em 1981. A doença rapidamente se espalhou pelo mundo, tendo chegado ao Brasil em 1983. Pesquisadores do comportamento sexual da sociedade brasileira colocaram como a questão da orientação sexual e dos papéis de gênero contribuíram para a disseminação da AIDS entre nós. Na cidade de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, o primeiro caso de AIDS foi diagnosticado em 1986 mas rapidamente a doença se espalhou, sendo que hoje (1998), a cidade oscila entre o quinto e o sexto lugar em incidência de AIDS por número de habitantes no Brasil. A partir de 1992, a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, dentro da Disciplina Sexualidade Humana instituiu um programa opcional de sexo protegido, que seria desenvolvido por estudantes de medicina, em escolas públicas do segundo grau, embora faltassem dados seguros a objetivos a respeito das dúvidas destes estudantes. Aleatoriamente, foram escolhidas dez escolas e a população pesquisada foi de 595 alunos, sendo 252 homens e 343 mulheres. A análise dos dados coletados mostrou que as dúvidas femininas estavam bastante ligadas aos papéis de gênero, mantendo a relação AIDS/afetividade (exemplo: beijo). Entre os homens porém as dúvidas eram mais diretas em relação a área sexual, núcleo do pensamento masculino: “sexo por sexo” (exemplo: sexo oral). Portanto, o resultado da pesquisa solidifica em muito as formulações teóricas e a dinâmica das oficinas de sexo protegido pois as informações a serem fornecidas vão ao encontro dos reais anseios dos participantes.

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