Farmacologização da sexualidade e direitos sexuais: reflexões sobre uma possível incompatibilidade

Título: Farmacologização da sexualidade e direitos sexuais: reflexões sobre uma possível incompatibilidade
Autor(es): J. A. Russo
Ano: 2013
Periódico: Revista Brasileira de Sexualidade Humana
Volume: 24
Número: 2
Páginas: 111-120
Tipo de Artigo: Trabalhos de Pesquisa
ISSN: 2236-0530
Palavras-chave: disfunção erétil; medicina sexual; farmacologização; direitos sexuais; erectile dysfunction; sexual medicine; pharmacologization; sexual rights
Língua: Portuguese

Resumo: Este artigo busca refletir sobre a relação entre o surgimento das drogas indicadas para disfunção erétil e o consequente florescimento da Medicina Sexual e o campo dos direitos sexuais. Para tanto, apresento e discuto o contexto do surgimento do Viagra e drogas assemelhadas. Busco argumentar que tal surgimento deve ser compreendido em articulação com o estabelecimento da categoria diagnóstica disfunção erétil, na medida em que a construção de tal categoria foi um fator relevante para o sucesso da nova droga e para sua intensa difusão. Apresento, em seguida, algumas hipóteses socioantropológicas sobre a impotência, transformada em disfunção erétil, como objeto relevante de pesquisa. Para concluir, procuro apontar como a abordagem farmacológica da sexualidade pode ser problemática do ponto de vista da Declaração dos Direitos Sexuais da WAS. / This essay focus on the relationship between, on the one hand, the emergence of drugs indicated for erectile dysfunction and the consequent flourishing of sexual medicine, and on the other, the sexual rights field. I start presenting and discussing the context of the emergence of Viagra and similar drugs I argue that the emergence of these drugs have a close association with the establishment of erectile dysfunction as a diagnostic category, meaning that the construction of such a category was an important factor for the success of the new drugs and their intense diffusion. I then present some socio-anthropological discussions on how impotence, transformed into erectile dysfunction, became a relevant object of research. In my final remarks I discuss the way this pharmacological approach to sexuality can be problematic from the point of view of the WAS Declaration of Sexual Rights.

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