A construção social da perversão

Título: A construção social da perversão
Autor(es): C. A. F. Passareli
Ano: 1996
Periódico: Revista Brasileira de Sexualidade Humana
Volume: 7
Número: ned1
Páginas: 13-25
Tipo de Artigo: Edição Especial
ISSN: 0103-6122
Língua: Portuguese

Resumo: O psicoterapeuta está a todo momento embrenhado nessa difícil tarefa que é a compreensão e a relação com o outro, diverso de si. A ciência positivista e a filosofia de subjetividade só dão como parcialmente de subsidiar a atividade psicoterápica, que é eminentemente intersubjetiva. Explicar a perversão de cada um, isto é, saímos de um pressuposto clínico, e o de chegada, já antevejo a partir de agora, é a construção social do fenômeno. Freud, não nos esqueçamos nunca disto, era um fervoroso cientista, trilhando nos rumos da neurofisiologia e munido de quase todas as prerrogativas do objetivismo de sua época. Assim, a investigação psicanalítica da sexualidade esta permeada da tradição positivista da ciência e da arcaica e rigorosa educação judaica. Em Os Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, nosso bom judeu não conseguirá romper com a casa dos horrores sexuais herdada de Kraft-Ebing, nem com os conceitos de anormalidade/normalidade oriundos do evolucionismo darwiniano, preconizando assim que a sexualidade no homem segue um curso progressivo, da perversão à saúde, em outras palavras, do anormal para o normal. Não é em vão que seu primeiro ensaio trata justamente das “aberrações sexuais, a saber: as inversões sexuais, o bestialismo e as perversões. (resumo indisponível, trecho do artigo).

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