3º Seminário Internacional Desfazendo Gênero

DETALHES:

  • Data: 10 Outubro 2017 - 13 Outubro 2017
  • Local: Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, Brasil
  • Website

De 10 a 13 de outubro de 2017, acontecerá em Campina Grande, Paraíba, o 3º Seminário Internacional Desfazendo Gênero, adotando na sua terceira edição o título “Com a Diferença Tecer a Resistência”. O evento foi criado por pesquisadora/es e ativistas articulada/os pelo esforço de problematizar como a sexualidade, em interação com outros marcadores sociais da diferença, atuam na tessitura dos processos sociais, constituindo uma potente estratégia para compartilhar dificuldades em inserir as interpelações epistemológicas, teórico-conceituais, metodológicas e políticas aportadas pelo queer nos eventos já existentes no Brasil. Sua 3ª edição está sob a responsabilidade do Núcleo de Investigações e Intervenções em Tecnologias Sociais/NINETS, da Universidade Estadual da Paraíba, sob a coordenação geral da professora Dra. Jussara Carneiro Costa.

Nas edições anteriores, o Seminário anunciou, efetivou e reiterou o compromisso em problematizar normatizações, normalizações, naturalizações e dicotomias envolvendo a compreensão das diversidades e/ou dissidências sexuais e de gênero. Além disso, evidenciou a produção do conhecimento, dialogando com grupos interessados em utilizar os recursos disponíveis no meio acadêmico para produção conjunta de políticas que fortaleçam o respeito e aprendizado com as múltiplas sexualidades e gêneros existentes em nossas sociedades. E também ampliou o compromisso em contribuir para a ocupação do próprio espaço acadêmico por quem antes o habitava apenas na condição de objeto de definição.

Com o tema “Subjetividade, Cidadania e Transfeminismo”, a primeira ocorreu entre 14 e 16 de agosto de 2013, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN, organizada pelo Núcleo Tirésias, sob a coordenação da professora Dra. Berenice Bento, com aproximadamente 800 participantes. A conferência de abertura foi realizada pelo/a sociólogo/a francês/a Marie-Hélène/Sam Bourcier e o evento contou com 5 mini-cursos, 8 mesas redondas, uma mostra artística (com teatro e cinema) e apresentações de pesquisas e artigos em 39 simpósios temáticos.

A segunda edição foi realizada pelo grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade/CUS, coordenado pelo/a professor/a Dr/a. Leandro Colling, da Universidade Federal da Bahia/UFBA. Sob o tema “Ativismos das Dissidências Sexuais e de Gênero”. Com a participação de aproximadamente 1.500 pessoas, o evento contou com a conferência de abertura realizada pela filósofa Judith Butler, inscrições em 71 simpósios temáticos e 50 trabalhos em pôsteres, além do lançamento de dezenas de livros, mostras artísticas com shows, performances e peças teatrais.

O Desfazendo em Campina Grande (PB)

 A realização do evento em Campina Grande, interior da Paraíba, adensa a radicalidade do propósito político que informa sua criação, anunciado desde a primeira edição: contribuir para modificar a geopolítica da produção de conhecimento, enfatizando a importância do trabalho que vem sendo desenvolvido no Nordeste do Brasil.

O município está localizado no Planalto da Borborema, microrregião de Campina Grande e mesorregião do Agreste Paraibano, a aproximadamente 130 quilômetros da capital do estado, João Pessoa. Sua população, para 2016, foi estimada pelo IBGE em 407.754 habitantes. Considerado um dos principais pólos industriais do Nordeste e um dos principais pólos tecnológicos da América Latina, se destaca na oferta de ensino superior, médio e técnico, constituindo-se no espaço com a maior quantidade de doutora/es por metro quadrado do Brasil. Simultaneamente, é também território de contrastes sociais profundos, a única não-capital a figurar em 2015 como uma das cidades mais violentas do país, como consta no relatório divulgado pelo Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal.

Processos de racialização e sexualização estão presentes na ordenação das dinâmicas sociais que tecem a vida por aqui, e não seria diferente com os indicadores de violência. Neste contexto, se amarram as trajetórias de Michele, Jussara e Ana Alice, as “mulheres de Queimadas”; de Ninete, “travesti”, “prostituta”, “preta” e “deficiente”; de professor Valderi. Corpos afeminados, violentados e assassinados por ideais de normalidade que recorrem às marcações de gênero, raça e sexualidade para dispor sobre a ocupação local do espaço. Notadamente no âmbito da institucionalidade municipal, inexistem quaisquer iniciativas públicas para enfrentar tais situações. Essas e outras tessituras completam o cenário e dizem muito sobre como a heteronormatividade atua por aqui!

O Desfazendo Gênero significa para nós a oportunidade de aproveitarmos as potencialidades políticas do evento e por em relevo a articulação e a atuação de marcadores da diferença articulados a processos de racializaçao e sexualização na produção de dinâmicas de subalternização e resistência no espaço em que nos encontramos inserida/os; de aprendermos com experiências e práticas sociais que materializam outros modos de lidar com a diferença e utilizá-la como base para uma reconfiguração da relação saber-poder-fazer; de tomar essas questões como mote para intervenções estratégicas na geopolítica do conhecimento.

Contaremos com conferência, mesas redondas, simpósios temáticos, minicursos, oficinas, lançamento de livros, intervenções artístico-culturais e tendas de vivencia tecidas por diálogos entre saberes que nos ensinam (des)aprendizagens necessárias à (re)configuração de nossas estratégias de resistência.

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